Minas Gerais é o estado com a maior extensão de montanhas no Brasil, representando 37,3% da área desse relevo no país. O dado foi divulgado no novo mapa de relevo brasileiro, apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta‑feira (29). A classificação, inédita, separa as montanhas de outras formas como planaltos e superfícies rebaixadas.
Montanhas em Minas: extensão e principais cadeias
A pesquisa indica que, apesar da liderança nacional, as montanhas ocupam 10,2% do território mineiro. Entre as áreas incluídas estão a Serra do Curral, a cadeia do Espinhaço, e as serras do Caraça, Gandarela e Moeda. O restante do estado é composto por planaltos (58,1%) e superfícies rebaixadas (29%).
Metodologia e critérios de classificação
O levantamento contou com cerca de 70 pesquisadores de universidades e instituições de geologia, que trabalharam por quatro anos para definir critérios comuns. Segundo o geógrafo Gabriel Bias Fortes, chefe da Seção de Base Territorial do IBGE em Minas, a padronização resolve a falta de um sistema colaborativo para classificar o relevo.
“Se a gente for pensar na estrutura de relevo, ela sempre esteve lá, ela continua da mesma forma. O que a gente padronizou foi a classificação”, explica.
Aplicações práticas do novo mapa
A escala de 1:1 milhão (1 cm = 10 km) permite que o mapa seja usado em livros didáticos, pesquisas universitárias e por órgãos ambientais. No Parque Estadual da Serra do Rola‑Moça, a administração pretende integrar o mapa ao sistema de câmeras de monitoramento para identificar áreas de difícil acesso em incêndios.
“Cruzando com o nosso sistema de câmera de videomonitoramento, a gente tem a real situação daquele relevo daqui da sala, sem precisar de ir lá”, afirma Henri Dubois Collet, gerente do parque.
Impactos para gestão e turismo
A informação detalhada sobre desníveis de 300 metros e encostas íngremes auxilia na definição de rotas de acesso, uso de veículos 4×4 ou apoio aéreo, e no planejamento de trilhas seguras. O conhecimento do terreno também contribui para a avaliação de riscos de quedas e para a preservação das áreas mais vulneráveis.