Lula chegou ao Congresso nesta sexta‑feira (16) para promulgar a PEC que elimina a escala 6x1. Apesar da maioria da oposição ter votado a favor na Câmara e no Senado, apenas o senador Cleitinho (Republicanos‑MG) compareceu à cerimônia.

A proposta, que assegura dois dias de folga por semana sem redução de salário, recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários na Câmara. No Senado, o placar foi de 75 a 1, com Hamilton Mourão (Republicanos‑RS) como único voto contra.

Oposição ausente na sessão

Parlamentares da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não compareceram à sessão solene. O senador Cleitinho, também governador eleito de Minas Gerais, foi a única voz oposicionista presente, reforçando a divisão interna sobre a reforma trabalhista.

Proposta alternativa de horas trabalhadas

A oposição no Senado defendia maior debate e apresentou, por meio do senador Rogério Marinho (PL‑RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), uma proposta de pagamento por hora. Essa medida permitiria reduzir o salário proporcionalmente às horas trabalhadas.

Flávio Bolsonaro chegou a defender publicamente a proposta de Marinho como a melhor alternativa para os trabalhadores, mas, diante de manifestações populares, afirmou que se posicionaria “conforme a vontade da maioria do povo”. Na quarta‑feira (14), votou virtualmente a favor da medida, sem participar da sessão, permanecendo em campanha em Porto Alegre.

Perspectivas para a proposta das horas trabalhadas

O partido PL, ao qual Flávio Bolsonaro pertence, pretende insistir na PEC das horas trabalhadas após as eleições. Segundo o líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), o grupo não abrirá mão de suas "convicções" e buscará implementar o modelo.

A proposta de Marinho elimina o mínimo de horas que o empregador deve oferecer para garantir o salário mínimo. Ao ser questionado sobre direitos como décimo terceiro salário e férias, Sóstenes afirmou que o modelo não seguiria a CLT, exigindo, segundo ele, "trocar o chip". No texto atual, esses direitos seriam pagos proporcionalmente às horas trabalhadas.

Próximos passos

A entrada em vigor da nova jornada ainda depende de regulamentação e de possíveis ajustes legislativos. Enquanto isso, a oposição permanece dividida entre a aprovação da PEC que elimina a escala 6x1 e a defesa de um modelo baseado em pagamento por hora.