Eleven years after the Fundão dam collapse in Mariana, Minas Gerais, the Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) continues to detect ecological alterations in the Rio Doce basin. The latest PMBA study found peixes com tumores, deformações e níveis de chumbo acima do limite da Anvisa, raising concerns about the health of aquatic life.
Anomalias encontradas em peixes marinhos
A análise de três exemplares – duas corvinas e um linguado – capturados por pescadores e enviados ao Instituto Chico Mendes (ICMBio) revelou concentração de chumbo de 0,726 mg/kg no linguado, ultrapassando o limite de 0,30 mg/kg estabelecido pela Anvisa. As corvinas apresentaram níveis dentro dos limites para arsênio, cádmio, mercúrio e chumbo.
"Nos animais também foram observadas alterações externas, como lesões na pele e uma massa nodular que se estendia da região da mandíbula até a cavidade oral de uma das corvinas", informou a Ufes.

Relatos de pescadores sobre animais doentes
Pescadores do Espírito Santo relataram a presença de animais doentes e deformados, incluindo tartarugas com úlceras, peixes com machucados e ostras cobertas de lama. Um pescador mostrou um linguado com tumores capturado em Aracruz e questionou a segurança do consumo.
Indicadores de contaminação e limites regulatórios
A Ufes aponta que, embora os indicadores de contaminação tenham melhorado, ainda há oscilações durante chuvas intensas, que podem ressuspender sedimentos contaminados. Nos últimos dois anos, amostras de peixes marinhos, camarões e caranguejos permaneceram dentro dos limites da Anvisa, exceto por um caso isolado de chumbo em peixe de água doce em janeiro de 2025.
"A passagem de frentes frias e outras condições oceanográficas também pode provocar a ressuspensão de sedimentos, favorecendo a disponibilização de contaminantes na água", destacou a universidade.
Limitações do monitoramento e próximos passos
O PMBA esclarece que não avalia riscos à saúde humana e que a amostragem não foca em peixes de tamanho comercial. Contudo, a Ufes planeja incluir peixes de interesse comercial no próximo ciclo de monitoramento para ampliar o conhecimento sobre a segurança do pescado.
"Embora o Programa realize análises de metais em organismos aquáticos, sua metodologia de amostragem de peixes não é direcionada especificamente à captura de exemplares de tamanho comercial ou destinados ao consumo humano", informou a universidade.
Os resultados são repassados a ministérios, Anvisa e Casa Civil, que decidirão sobre orientações sanitárias e a continuidade da pesca na foz do Rio Doce.