Ao atravessar o rio Ottawa em direção a Témiscaming, Quebec, a fábrica de papel domina a paisagem da cidade que se desenvolveu ao seu redor há mais de um século. Em início de outubro, a proprietária americana RYAM anunciou paralisação por razões econômicas, sem prazo definido, após a imposição de tarifas pelos Estados Unidos.
Destaques:
- 360 funcionários desempregados
- RYAM decide paralisação indefinida
- Moradores mobilizam compra da fábrica
A paralisação deixou a maioria dos 360 empregados sem trabalho, embora alguns recebam pagamento parcial do programa de alívio tarifário do governo canadense. Nadine Suley, residente local, descreve a situação como “não é apenas um emprego. É a nossa casa”.
"Não é apenas um emprego. É a nossa casa", afirmou Suley.
Impacto na comunidade
O valor dos imóveis em Témiscaming despencou, e placas de "Vende-se" surgiram nos jardins das casas de classe média. Ronnie Raymond, descendente de trabalhadores da fábrica, teme que a cidade se torne um “fantasma”.
"Se a fábrica fechar, a cidade vai virar uma cidade fantasma", disse Raymond.
Reação sindical e política
Stéphane Lefebvre, líder sindical, alerta que a perda de empregos em Témiscaming não recebe a mesma atenção que crises em grandes centros como Toronto ou Montreal. Ele recorda a mobilização de 1973, quando trabalhadores compraram a empresa e a transformaram na Tembec.
"Esperamos que o raio caia duas vezes no mesmo lugar", afirmou Lefebvre.
Lefebvre pede apoio do primeiro‑ministro Mark Carney e do governo de Quebec, seja por alívio tarifário ou apoio financeiro, para viabilizar a recompra da fábrica.
Medidas governamentais
O governo federal respondeu com tarifas de retaliação de 50% sobre produtos canadenses, enquanto o governo de Quebec destinou C$ 400 milhões ao setor florestal em áreas rurais. Recentemente, Carney e o primeiro‑ministro de Ontário, Doug Ford, anunciaram um pacote de quase C$ 9 bilhões para os setores siderúrgico e automobilístico.
Perspectivas futuras
A comunidade aguarda uma solução viável. Enquanto isso, a fábrica permanece parada, enviando cerca de 75% de sua produção para os Estados Unidos quando operava. A situação evidencia a vulnerabilidade de cidades dependentes de um único empregador diante de disputas comerciais internacionais.