O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta‑feira (21) medidas para microempreendedores individuais (MEIs) e para a gratuidade do transporte coletivo urbano. Durante o evento, o mandatário afirmou que pobres são bons pagadores e que muitos ricos gostam de dever, gerando debate sobre política de dívida e apoio ao empreendedorismo.
Declarações sobre pagamento de dívidas
Lula ressaltou que a população de baixa renda valoriza o pagamento de suas obrigações. "Se tem gente boa pagadora nesse país e gente que gosta de pagar sua dívida é o pobre nesse país", declarou.
Ele acrescentou que o pobre sente vergonha ao dever, mas paga assim que tem recursos: "Quando um pobre deve na padaria, ele tem vergonha de passar na porta da padaria, de vergonha de ser cobrado. Quando ele tiver o dinheiro, a primeira coisa que ele faz é pagar, porque tem uma coisa que vale para o povo trabalhador, que é uma coisa chamada honra".
Contraste com a postura de alguns ricos
O presidente contrapôs o comportamento dos pobres ao de alguns ricos, afirmando: "Tem muita gente rica que gosta de dever. Dever é uma coisa charmosa: quanto mais eu devo, melhor. O pobre, não. O pobre fica honrado quando ele não tem dívida, que ele pode andar de cabeça erguida nesse país".
Medidas para microempreendedores
Lula explicou que o governo decidiu perdoar dívidas de MEIs, pois parte dos recursos não seria recuperada: "É um dinheiro que a gente sabia que a gente não ia receber".
Ele também anunciou uma concessão de R$ 5 mil para empreendedores, destacando que se trata de doação, não de empréstimo: "É uma doação do governo para que vocês possam começar a vida de vocês de cabeça erguida, sem ficar pedindo favor a ninguém". A medida ainda depende de aprovação no Congresso.
Proposta de tarifa zero no transporte coletivo
Na mesma cerimônia, Lula assinou mensagem que encaminha ao Congresso uma proposta de emenda constitucional (PEC) para financiar a tarifa zero no transporte urbano. O governo prevê destinar no mínimo 26,8% do montante global anual das emendas parlamentares para custear a gratuidade.
Lula espera que a PEC seja votada ainda neste ano e indica que a gratuidade em fins de semana e feriados pode servir como fase piloto, com possibilidade de expansão caso as condições fiscais permitam.