O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou nesta quinta‑feira (29) ação contra a Meta, controladora do Instagram, Facebook e Threads, pedindo a remoção imediata de publicações que incentivam empregadores a vigiar, expor ou demitir funcionários por orientação política.
"Se não os emprega para identificar a incitação à discriminação de trabalhadores por convicção política, é por escolha, e não por impossibilidade técnica", afirmam os procuradores que assinam a ação.
Destaques:
- Pedido de indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos
- Meta responsabilizada por permitir conteúdo ilegal
- Prazo de 24 horas para retirada das publicações
Ação e pedidos urgentes
A ação requer que a Meta retire, em até 24 horas, todas as publicações que incitem o assédio eleitoral, sob multa de R$ 500 mil por conteúdo mantido no ar. Também solicita que a empresa exiba aviso a todos os usuários brasileiros, notifique os perfis responsáveis e suspenda por 30 dias quem reincidir.
Contexto das denúncias
Após o segundo turno das eleições, em 25 de outubro, perfis nas plataformas passaram a orientar empregadores a investigar o voto dos trabalhadores. Entre 26 de outubro (meia‑noite) e 29 de outubro (12h), o MPT recebeu 1.459 denúncias de assédio eleitoral, totalizando 3.396 denúncias nas eleições de 2024.
Responsabilidade da Meta
O MPT alega que a Meta tem sistemas automatizados e revisão humana capazes de remover conteúdo ilegal, mas que falhou ao permitir que publicações permanecessem disponíveis por dias, inclusive nas abas “Explorar” e nos Reels, ampliando seu alcance.
Medidas solicitadas
- Remover publicações em até 24 horas
- Exibir aviso contra discriminação política
- Notificar perfis responsáveis
- Suspender perfis reincidentes por 30 dias
- Desativar contas em nova reincidência
- Criar política permanente de prevenção ao assédio eleitoral
- Alterar regras de uso para proibir explicitamente esse tipo de conteúdo
- Reforçar moderação em períodos eleitorais e prestar contas à Justiça
A ação foi assinada pelo procurador‑geral do Trabalho Gláucio Araújo de Oliveira, pela procuradora‑chefe do MPT‑SP Vera Lúcia Carlos, e pelos procuradores Igor Gonçalves, Luciana Coutinho, Tatiana Amormino, Diego Jimenez e Marcos Cutrim.