Uma crise envolvendo o banco digital Ueno, que atende cerca de 3 milhões de clientes no Paraguai, provocou a renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central, nesta terça‑feira (3). A situação intensificou a pressão sobre o governo do presidente Santiago Peña.

"Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno", disse à agência Reuters Manuel Cáceres, morador de Ñemby, nos arredores de Assunção. "Infelizmente, muita gente, inclusive eu, está passando a manhã assim."

Destaques:

  • Crise no Ueno leva à renúncia de Carlos Carvallo
  • Governo de Santiago Peña anuncia acordo para usar o Fundo de Garantia
  • Próximo passo: auditoria da Superintendência de Bancos

Banco Ueno sob investigação

O Ueno, maior emissor de cartões de crédito do país, enfrenta problemas financeiros e está sob investigação criminal. Seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido após ajustes nos balanços. O Ministério Público solicitou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco.

Medidas do Banco Central e do governo

O Banco Central iniciou procedimentos para proteger depositantes e limitar impactos no sistema financeiro. A Superintendência de Bancos vai nomear auditores para verificar os ativos do Ueno. O presidente Peña propôs acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia para pagar os depositantes, incluindo recursos do Instituto de Seguridade Social (IPS) e outros fundos públicos.

Implicações políticas e de mercado

A crise gerou desgaste para o governo de Peña e levantou dúvidas sobre a reputação do Paraguai como destino de capital estrangeiro, sobretudo brasileiro. As preocupações pressionaram os títulos em dólar do Ueno com vencimento em 2031 e a dívida soberana do país. O caso também revelou ligações entre Peña e o grupo controlador do Ueno, do qual foi sócio até março de 2025.

Declarações oficiais

Peña afirmou que o caso é isolado e não reflete problemas sistêmicos no sistema financeiro nacional, acrescentando que os responsáveis devem responder perante o Judiciário, sem exceções. Carvallo, ao anunciar sua saída, disse que a decisão ajudaria a reduzir a controvérsia em torno do Banco Central e permitiria que a instituição trabalhasse sem disputas políticas.